Blog originalmente criado para relatar as pérolas que minhas duas flores lançavam no ar e que com tempo virou o meu cantinho de devaneios. Sinta-se abraçado!
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Aquarela
Como um sopro gelado em um dia de verão,
as notas coloridas abraçaram
e dançaram.
Uma sinfonia de luz, cor e calor envolveram sem pedir licença,
acariciando
como uma gota de felicidade escorrendo pela pele,
instigando os sentidos, espalhando-se devagar pela derme arrepiada,
deixando os pelos em riste.
Impossibilitada de fingir indiferença pela força invisível que me puxava,
parei no lugar e senti as pálpebras caírem
em um encontro sensual e sensorial,
arremessando-me para o alto, de braços abertos
e balançando ritmadamente o corpo
em uma envolvente entrega, silenciosa.
Coração frenético
no compasso da partitura que a vida me presenteava
com sutileza e sensualidade quase erótica.
Remando em um mar cristalino de sensações etéreas.... percebi....
meu dia virou poesia.
Labirinto de céu
Ela só queria brincar,
Mas se perdeu em um olhar
Ela só sabia brilhar,
Mas se confundiu com escuridão
Ela queria ser especial,
Mas se descobriu igual
Mas se perdeu em um olhar
Ele só queria esquecer,
Mas se perdeu nas lembranças
Ela só sabia brilhar,
Mas se confundiu com escuridão
Ele quis fugir,
Mas se achou em um labirinto
Ela queria ser especial,
Mas se descobriu igual
E nos cantos, curvas e intersecções sem fim
Ele a viu
Única. apenas um ponto de céu
Bela
lhe retirou o véu.
lhe retirou o véu.
E,
Ali,
Se esqueceu
E se perdeu.
Sobre ser
Um dia eu quis ser nuvem!
Colhi todo o material para a minha viagem.
Lata, vidro e sabão
Não me pergunte qual a lógica dessas escolhas
Ser nuvem requer, acima de tudo, estar com a cabeça e o coração em lugares absurdos.
Pelo menos, pelas pessoas que nunca cogitaram ser uma, claro!
Lá no alto
Linda
Leve
Fofa
Muito fofa
E açucarada
Peguei um copo qualquer, um canudo e um tantinho de água
Queria nuvem concentrada
Forte
Linda
Fofa
E duradoura
E assim como meu desejo louco
meu sonho durou pouco
Ruiu
Caiu por terra
E se misturou as pedras
Nuvem de chão não é nuvem
É borrão
Hoje não quero mais ser nuvem
Delírio insano de uma menina sonhadora
Quero ser vento
Estou parada
Em frente a calçada
Em uma noite enluarada
Esperando pela sua chegada
Nas mãos, nada.
Nos pés, onde estão??
No rosto um sorriso
E sem aviso
Ele passa
- Ei, espere!!
- O que foi?
- Quero ser como você.
- É?
- É!
Olhe para o chão
Seus pés
Onde estão?
Bem vindo!
Entre, faça de conta que a casa é sua, deixe do lado de fora toda a tensão, as aflições e principalmente, o mau humor. Aqui dentro só o amor.
Esqueceu como faz? Simples. Coloque a mão na maçaneta, inspire o máximo de ar que puder, chacoalhe o esqueleto duas vezes, solte o ar - tinha me esquecido desse detalhe, sorry! - e sorria. Chacoalhe o corpo mais uma vez, e outra vez e mais uma última vez.
O café está pronto e quentinho. Fique a vontade, seu corpo, seu lar. Minha casa, meu ar!
Ah... e se quiser ficar descalço, vou adorar!
Esqueceu como faz? Simples. Coloque a mão na maçaneta, inspire o máximo de ar que puder, chacoalhe o esqueleto duas vezes, solte o ar - tinha me esquecido desse detalhe, sorry! - e sorria. Chacoalhe o corpo mais uma vez, e outra vez e mais uma última vez.
O café está pronto e quentinho. Fique a vontade, seu corpo, seu lar. Minha casa, meu ar!
Ah... e se quiser ficar descalço, vou adorar!
Peraltice
E de tempos em tempos
Chegamos a conclusão que ele é nosso único companheiro
Nas horas felizes, passa rápido como um sopro
Nas horas tristes, perde-se observando a dor alheia
Por falar em dor...
Quando se sente.... ela... a dor.... o tempo pára, suspenso no ar
E tudo que se sente é a vontade de escapar...
Dele...
Do tempo?
E o tempo que foi dado?
Não volta...
Jamais...
Como se estivesse sempre alguns passos adiante
Perde-o tentando voltar...
Buscar...
Sentir...
Fugir...
E o tempo?
Corre adoidado por aí!
Ah, esse tempo....
Menino travesso!
Chegamos a conclusão que ele é nosso único companheiro
Nas horas felizes, passa rápido como um sopro
Nas horas tristes, perde-se observando a dor alheia
Por falar em dor...
Quando se sente.... ela... a dor.... o tempo pára, suspenso no ar
E tudo que se sente é a vontade de escapar...
Dele...
Do tempo?
E o tempo que foi dado?
Não volta...
Jamais...
Como se estivesse sempre alguns passos adiante
Perde-o tentando voltar...
Buscar...
Sentir...
Fugir...
E o tempo?
Corre adoidado por aí!
Ah, esse tempo....
Menino travesso!
Cor(ação)
Dentro de mim bate um coração
Ah... É feito um trovão
Batendo sem noção
Entre o sim e o não
Como uma paixão
Que nunca foi em vão
Entre o sim e o não
Entre o sim....
Sim...
Ah... É feito um trovão
Batendo sem noção
Entre o sim e o não
Como uma paixão
Que nunca foi em vão
Entre o sim e o não
Entre o sim....
Sim...
Chica
A sensação de te ter nas mãos é indescritível e apesar de não
poder te tocar diretamente, o contentamento que se espalha em meu corpo é como
uma brisa morna em um dia de inverno, um sonho recortado. O único toque de
meus dedos fazem tudo se tornar possível e ao
alcance dos olhos, dos lábios, da língua e dos dentes. O acúmulo líquido na sua extremidade úmida, o prazer do olfato, o brilho se espalhando sobre
sua superfície macia, sensação de puro êxtase. Rápidas ou
lentas, as investidas contra ti me levam a extremos de pura glória. E quando você escorre, gelado, melado, se esparramando, se esvaindo, a única coisa que me vem à mente é: "bon".
Cassiopeia
Corre pelo meu rosto rio de pedras multicoloridas, que se multiplicam no canto do meu olho e se derramam sem pedir permissão. Com minhas mãos em conchas as amparo antes que caiam no precipício entre o queixo e meu inflamado peito, formando um lago multifacetado e em cada faceta brilhante vejo o reflexo de um momento. Uns brilham tão intensamente, que me cegam por um instante, outros sugam a luz, remetendo-me ao ponto mais escuro de minha finita memória. Inalo o ar úmido a minha volta, como névoa condensada de arrependimentos e as lanço no espaço escuro entre o céu e o nada e tudo fica inimaginavelmente belo, como uma constelação que acaba de surgir na negra teia de uma vida.
Imagem: desconheço a fonte
Deriva
Queria abrir um caderno qualquer,
desses que se leva para escola, espiral, pautado e onde se escreve sem parar, fórmulas
matemáticas, trechos históricos de nosso país, análises sintáticas, química, física,
geografia....
desses de dez matérias....
arrancar uma folha, uma única
folha....
dobrar, dobrar novamente,e mais e mais , até que ele se transforme em um
barquinho de papel,
dobrar, dobrar novamente,
barquinho de papel pautado...
e nele navegar por aí, nas
profundezas cerúlea de seus olhos, sentindo a plácida correnteza levar a
pequena, leve e frágil nau para o seu íntimo, balançando ao ritmo ininterrupto,
suave e embriagante de uma brisa.Brisa, vento, ventania....
Soprando para longe, para perto, para dentro da escuridão pontilhada de memórias, como um céu estrelado de uma noite feliz...
e a nau flutuando, a brisa balançando meus cabelos, me beijando a face e me lançando para o alto,
sempre para o alto,
para o infinito profundo de sua existência e me confundindo....
e a nau flutuando, a brisa balançando meus cabelos, me beijando a face e me lançando para o alto,
sempre para o alto,
para o infinito profundo de sua existência e me confundindo....
Fundindo...
misturando tudo e me transformando em céu e lua, em sol e água, em frio e calor, em riso e choro, eu e você,
ancorados para sempre
na luz escura do hálito gélido de um infinito beijo.
misturando tudo e me transformando em céu e lua, em sol e água, em frio e calor, em riso e choro, eu e você,
ancorados para sempre
na luz escura do hálito gélido de um infinito beijo.
Interminável hora
Os braços se tocam
Os corpos se entrelaçam
As mão se acariciam
As bocas se buscam, se encontram e provam o sabor do encontro
Invasão cedida, concedida e recíproca
Mãos alucinadas, procuram incessantemente
Calor
Aproximação
Entrega
Os corpos tentam se fundir em apenas um.
Apenas um
Um
Tentativa vã
Um
Bocas suplicam
Um
Corações descompassados
Um
Distância
Um
Desespero
Um
Dor
Um
Solitude
Um
Espera pela nova oportunidade de se tornar
Um
Os corpos se entrelaçam
As mão se acariciam
As bocas se buscam, se encontram e provam o sabor do encontro
Invasão cedida, concedida e recíproca
Mãos alucinadas, procuram incessantemente
Calor
Aproximação
Entrega
Os corpos tentam se fundir em apenas um.
Apenas um
Um
Tentativa vã
Um
Bocas suplicam
Um
Corações descompassados
Um
Distância
Um
Desespero
Um
Dor
Um
Solitude
Um
Espera pela nova oportunidade de se tornar
Um
Miopia - versão dadaísta
Dizer "te amo" quer dizer biquinho
Um grito é sempre quer dizer
Dizer não adianta quando apertar...
"Ajude-me" "socorro" quando par de óculos é os olhos
Embaçada, um quer colo um choro
Um quer dizer fechar, vindo.
Suspiro está quero um
Quer bem sorriso obrigada
Abrir, esfregar um visão
Um grito é sempre quer dizer
Dizer não adianta quando apertar...
"Ajude-me" "socorro" quando par de óculos é os olhos
Embaçada, um quer colo um choro
Um quer dizer fechar, vindo.
Suspiro está quero um
Quer bem sorriso obrigada
Abrir, esfregar um visão
Ciclo
O que antes era vermelho
Vivo
Intenso
Banhado pela luz do sol
Quente
Brilhante
Aos poucos se torna opaca
Sem viço
Sem cor
O que antes apontava para o alto
Altivo
Confiante
Mirando as estrelas
Vibrante
Radiante
Aos poucos se curva
Sem forças
Sem folhas
Rendendo-se a força invisível
Fraco
Findo
Perde-se entre o que foi um dia
E a esperança de um recomeço
Rendendo-se
Caindo
Sentindo
O fim
Vivo
Intenso
Banhado pela luz do sol
Quente
Brilhante
Aos poucos se torna opaca
Sem viço
Sem cor
O que antes apontava para o alto
Altivo
Confiante
Mirando as estrelas
Vibrante
Radiante
Aos poucos se curva
Sem forças
Sem folhas
Rendendo-se a força invisível
Fraco
Findo
Perde-se entre o que foi um dia
E a esperança de um recomeço
Rendendo-se
Caindo
Sentindo
O fim
Luta
Ela estava agachada, o joelho
esquerdo tocando o chão de terra, assim como a mão direita, os cabelos longos
formando uma cortina negra sobre seu rosto, respiração acelerada. Olhou para o
alto, pingos espessos, negros como sua roupa e seu estado de espírito,
começaram a cair sobre seu rosto, como um lamento vindo dos céus. Ao seu redor,
gritos de horror, medo e bravura daqueles que ainda lutavam. Ecoavam em sua
memória os muitos lamentos que ouvira até então, daqueles que conhecera, que
perdera e viria a perder. A visão de um futuro negro pairava sobre ela, como
uma aura sugando toda sua vontade. O cansaço que ela sentia não era
físico, há muito não mais sentia seu corpo reclamar, mas em sua alma marcada
pela perda ao longo do tempo de sua existência. Virou-se e observou o horizonte
distante, que começava a anunciar o amanhecer de um novo dia, ponderou a
possibilidade de finalmente deixar tudo para trás e esquecer os gritos, as
perdas, os incessantes lamentos das pessoas que contavam com ela. Viu no
horizonte a possibilidade de um recomeço, livre da dor que carregava dentro do
coração, ah como seria reconfortante se livrar de todo um passado de
infortúnios. Deu um pequeno passo, fechou os olhos, abriu os braços e deixou-se
sentir os pingos chuva lavar-lhe o rosto, o corpo e o coração ferido. E com um
breve suspiro jogou-se para trás, num mergulho escuro para o fundo do abismo
onde a luta pela vida continuava. As forças? Encontraria dentro de si, trancada
a sete chaves no amago de seu ser e daqueles que confiavam nela.
Inquietude
Carrego em mim uma inquietude... bem, não sei dizer se é realmente isso, mas é como se algo ficasse embolado, embotado, embutido dentro mim. Daqueles ímpetos em que você corre, grita, pula, gasta toda a sua energia olhando para o céu à procura de uma resposta, mas ela não vem, assim como o grito, o pulo, os gestos abruptos.... está tudo confinado aqui dentro, bem aqui... onde ninguém vê, nem sente, tampouco ouve, mas eu... ah eu ouço esse grito, abafado, desesperado, buscando uma forma de sair, mesmo estando encurralado entre a vontade e o medo.
Como nas palavras da irmã F, brilhantemente criada por Hilda Hilst.
- Olhei o pássaro que pousou na janela. Tive vontade de ser!
Hourglass
Queria que você me olhasse daquela forma que só você é capaz, me desvendando sem necessidade de explicações. Porque nós somos assim, não acha?! Uma sintonia inacreditável e invejável.
É, invejável! Já parou para pensar em quantas pessoas queriam ser como nós? Que sabem o que outro está sentindo sem ter que falar nada, cuja energia paira sobre nossos corpos como uma carícia do vento vindo do mar, como a onda que revolve a areia da praia, numa carícia sem fim - ás vezes delicada e às vezes feroz como uma ressaca, batendo, soprando, esburacando a fina camada de areia, mas que depois de tanta zanga, se acalma, se recompõe e volta às carícias, suaves, ternas, como o vento que balança uma flor levando seu perfume pelo ar.
E se somos assim, feitos um para o outro, me explica por que não vejo mais seu sorriso, por que não sinto mais seu perfume, nem seu calor ou seu olhar sobre meu corpo?
Como a areia que cai de uma ampulheta, nosso tempo se foi? E se burlássemos o tempo e virássemos a ampulheta a fim de termos um pouco mais? Tempo para relembrar o frisson que nosso toque provoca, para sentir o hálito morno do perdão. Peço perdão por te amar tanto, por querer te ter do meu lado a todo momento, por precisar de você assim como preciso da água que hidrata meu corpo. Gostaria apenas que você estendesse sua mão e me tirasse dessa escuridão que se abateu sobre mim, como uma camada grossa e pegajosa que me impede de sorrir, pois só você é capaz disso.
imagem: www.galeriaaberta.com
O abraço
A sua frente o caminho de areia a
convidava, passos impressos nos grãos espalhados por todos os lados lhe
mostrava que muitas pessoas haviam passado por ali. Naquela hora da manhã, onde
o sol acabara de nascer seguido dos cantos dos pássaros em sua homenagem ela
parou, virou seu rosto para cima, observou as nuvens que pairavam sobre ela e
fechou seu olhos. Os pés descalços em contato com a Mãe Terra, em suas mãos as
sandálias que acabara de tirar e em seu corpo um biquíni azul coberto por um
vestido branco de algodão. Os cabelos longos soltos balançando ao vento.
Segundos,
minutos, horas se passaram, não importava contar o tempo em que ficara ali
sentindo o calor do sol a acariciar seu rosto, tampouco contar as vezes que
sentiu o vento levantar seus cabelos.
Abriu
os olhos e caminhou decidida, a brisa do mar trazia um gosto salgado para os
seus lábios entreabertos. As ondas batendo contra a areia cantarolavam para
ela, como uma evocação ao reencontro.
Na
praia apenas alguns pescadores puxavam suas canoas após terem retornado do mar
com sua pescaria, troncos rolavam por baixo de suas pequenas fontes de sustento
e lentamente os levavam para um local seguro.
Sentou-se,
cruzou as pernas e ficou observando o movimento constante da água, tirou o
vestido branco e fez uma prece silenciosa. Agradeceu por mais um dia de vida,
por possuir a visão e
poder ver plenamente o esplendor da natureza a sua frente,
por poder tocar a areia fina sob seu corpo, por sentir o abraço do aroma da
maresia e o gosto salgado do mar e por poder ouvir a cantiga carinhosa que lhe
chegava aos ouvidos. Agradeceu por ter a oportunidade de retornar a esse lugar,
apesar de ter ciência de tudo que tivera que passar para conseguir finalmente
chegar ao ponto em que se achava.
O
mesmo mar, a mesma natureza que hoje lhe dava as boas vindas, havia tirado tudo
o que ela tinha de mais precioso na vida. Como uma borracha que apaga uma letra
em um caderno ela viu sua vida ser engolida por uma camada densa e grudenta e da qual ela
lutou com todas as forças para se livrar, mas quanto mais força ela fazia,
maior era seu abraço escuro.
Mas
hoje, depois de muita luta, ela havia vencido a escuridão. Decidira caminhar.
Um passo de cada vez por um caminho sinuoso, solitário, dolorido, cheio de
obstáculos, o que a
obrigou a desviar muitas vezes, mas não hoje... hoje ela
estava ali de corpo e alma.
Levantou
e correu de braços abertos, sentiu o mar lhe tocar os pés e não parou,
continuou correndo, as ondas batiam em suas pernas espalhando águas para todos
os lados e ela continuou até o ponto em que a força das águas sobre as suas
pernas a impendiam de ir mais rápido. Então respirou fundo, segurou o ar em
seus pulmões, lançou seus braços para frente e mergulhou. Envolta pelo mar soltou
todo o ar que havia inspirado e gritou.
- Pai, eu te amo. Ontem, hoje e
sempre.
Voltou
para a superfície, abriu os braços e ficou ali. Segundos, minutos, horas, não
importava. O que ela queria era ficar ali, sentindo-se abraçada e recebendo o
carinho daquele que tinha sido tirado de sua vida, mas que guiara seus passos
até ali.
Amor em pó
- Moço quanto está o quilo?
- Quilo do quê?
- De amor em pó.
- Ih, está em falta minha senhora...
Se o amor pudesse ser medido em metros, peso, dúzia, etc...
seria fácil. Poderíamos comprar, presentear alguém ou até emprestar por tempo
determinado... “Você me empresta aquele saquinho de amor que você comprou?
Semana que vem eu devolvo!” e
se a pessoa não devolvesse, poderíamos comprar mais um pouco.
Já imaginou dar uma caixinha de amor a alguém? Aquela pessoa
que está precisando e muitas vezes nem percebe que o que está faltando em sua
vida é uma pitada de amor. Amor próprio, daqueles concentrados – tipo produto
de limpeza, que se dilui uma tampinha em um balde cheio de água – e que ao
tocar, abraçar, beijar e sorrir, se espalha pelo ar como uma leve brisa cor de
violeta, correndo em ondas e envolvendo todos ao seu redor.
- Acho melhor a senhora procurar na banca do Seu Romeu, lá
ele tinha amor em metros. Dá mais trabalho para carregar, custa mais caro, mas
vale a pena. Amor é amor, né?!
Hoje
Hoje vou sair por aí. Vou colocar meu sapato favorito - aquele confortável, baixinho e que me acompanha nos dias de preguiça. Vou pegar meu jeans velho, bem surrado e que já tem a forma de meu corpo. Vou vestir minha camiseta branca, onde se lê “LOVE”. Nos cabelos um rabo de cavalo. Nos lábios um gloss apenas. O celular ficará em “off” o tempo todo. Vou caminhar pelas ruas, olhar para as pessoas distraídas em seus pensamentos, desviar das calçadas esburacadas, dos cachorros mal encarados. Vou observar cada árvore que estiver em meu caminho e procurar pela sombra que ela proporciona. Vou olhar para o céu a procura de vida. Vou retribuir um sorriso, aliás, vou sorrir para tudo e todos. Porque hoje ninguém me segura.
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