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Berenice

"Ali dentro tudo o que existia era convertido em lembranças."


Esse é um conto que escrevi para participar do concurso da Sweek - aplicativo de autopublicação gratuita e o blog Leia Mulheres. Se vocês quiser lê-lo no Sweek clique aqui. Disponibilizei também no wattpad, para lê-lo clique aqui.

Sobre ser



Um dia eu quis ser nuvem!
Colhi todo o material para a minha viagem.
Lata, vidro e sabão
Não me pergunte qual a lógica dessas escolhas
Ser nuvem requer, acima de tudo, estar com a cabeça e o coração em lugares absurdos.
Pelo menos, pelas pessoas que nunca cogitaram ser uma, claro!
Lá no alto
Linda
Leve
Fofa
Muito fofa
E açucarada

Peguei um copo qualquer, um canudo e um tantinho de água
Queria nuvem concentrada

Forte
Linda
Fofa
E duradoura

E assim como meu desejo louco
meu sonho durou pouco
Ruiu
Caiu por terra
E se misturou as pedras
Nuvem de chão não é nuvem
É borrão

Hoje não quero mais ser nuvem
Delírio insano de uma menina sonhadora
Quero ser vento
Estou parada
Em frente a calçada
Em uma noite enluarada
Esperando pela sua chegada

Nas mãos, nada.
Nos pés, onde estão??
No rosto um sorriso
E sem aviso
Ele passa

- Ei, espere!!
- O que foi?
- Quero ser como você.
- É?
- É!

Olhe para o chão
Seus pés
Onde estão?

Sombras


Fiquei aqui perdida em pensamentos - acho que é o único lugar onde me sinto inteira e sem medo do que está adiante - e então me veio à memória uma conversa que tivemos, em uma época em que uma troca de olhares significava muito. Não, significava tudo!

Eu respirando você, meu rosto encostado em seu peito, seu cheiro entrando por minhas narinas, cheiro de terra e doce de leite, consegue perceber? E então quis saber como você conseguia me aturar, uma pessoa tão cheia de defeitos, vulnerável, volátil, mal humorada, que fala e ri alto demais e então você respondeu, me olhando nos olhos:

- Por que você me faz querer ser uma pessoa melhor e eu te amo exatamente por você ser quem você é!

Sinto vontade de saber então por que você fugiu de mim, será que perdi o brilho que te tirava da escuridão, ou finalmente meus defeitos suplantaram minhas qualidades?

De qualquer forma, não tenho para onde ir. Onde quer que eu vá ou o que quer que eu faça, será apenas uma fração do que eu fui um dia, pois desde o momento em que você se foi, parte de mim se trancou nas sombras.

Fim


Eu queria acreditar que tudo aquilo era passageiro, ou melhor, apenas um pesadelo e no instante em que eu acordasse, suando, tremendo e com a respiração acelerada eu simplesmente olharia para o lado e veria você dormindo tranquilamente, me lembrando que era apenas um sonho ruim, mas não. 

A verdade estava ali diante de mim e nada parecia mudar sua decisão. Meus olhos mareados, minhas súplicas... nada.

Você, inflexível, dirigiu-se até a porta e se foi, sem nem mesmo olhar uma última vez para trás. Talvez uma última olhada fizesse você desistir daquela decisão, mas não.

Sem mais palavras eu te vi saindo e levando um pedaço de mim, não – levando tudo o que eu tinha - porque você era meu tudo, meu eixo, minha razão.

Eu queria gritar, abri a boca e um eco silencioso permaneceu no ar.

Eu queria correr atrás de você, mas meus pés estavam pregados ao chão.

Eu queria que você visse o meu desespero.... mas não.

Você se foi.

O que sobrou de mim ficou, um amontoado de sentimentos jogado no canto da sala. 

Esperando....

A casa amarela



Era quase um ritual. Prendia o cabelo, colocava suas sandálias, pegava sua sacola, a carteira e saía. Trancava a porta, o portão e caminhava pela rua.


Ao chegar à padaria:

- Dois pãezinhos, por favor.

Ela era sozinha, mas sempre comprava dois pãezinhos para o caso de aparecer alguém sem avisar. O armário bem o sabia, ninguém aparecia e os pães se acumulavam.

Para voltar, fazia outro caminho, mais longo para se exercitar um pouquinho.

No caminho tinha uma casa, “a casa amarela”, era assim que ela a chamava. Havia algum tempo que estava vazia e ela se entristecia. Lembrava-se perfeitamente do pequeno jardim, com lindos lírios amarelos, da janela pintada de azul e da antiga cadeira também pintada de azul na pequena varanda e sentado nela, o Sr. Júlio. Um velhinho muito simpático que ficava observando o tempo passar e quando a via a cumprimentava com um aceno e um grande sorriso no rosto.

Nunca conversavam, só acenavam um para o outro, mas esse era o melhor momento da tarde.

Agora, a casa estava vazia. As flores secaram com a falta de cuidados e a cadeira já não estava mais lá. E o aceno... ah o aceno.... o sorriso sincero... ah como fazia falta, e ela sabia que ao virar a esquina ela olharia para a casa e uma pontada de tristeza se apoderaria de seu coração. Mesmo sentido falta do sorriso largo, ela fazia o mesmo trajeto todos os dias, ela devia isso a ele.

Dobrou a esquina decidida e não olhar para a casa, já era tempo de se desvencilhar do passado. A passos largos passou em frente a casa sem virar o rosto, mas algo chamou-lhe a atenção. Um objeto branco vinha em sua direção. Ainda sem querer se virar para ver do que se tratava, foi atingida, perdeu um pouco o equilíbrio e quase se estatelou no chão.

Ainda sem entender o que tinha acontecido, olhou para a casa e avistou um menino correndo.

- Minha bola, minha bola....

Ah... uma bola. Tinha sido atingida por uma bola, que rolou e parou no meio-fio, entre a calçada e o pneu de um caminhão, que até então ela não tinha percebido ali, tal era sua obstinação em não olhar para a casa que não reparou em nada. Não reparou na mobília espalhada pelo jardim, na bicicleta apoiada no portão, nem no menino que estava se divertindo.

Abaixou-se e pegou a bola. Entregou para o menino, que lhe retribuiu com um belo sorriso no rosto.

- Obrigado.

Ali, o sorriso ela reencontrou.

- De nada. Qual é o seu nome?

- Julinho.

Tempo

Ela passou em frente ao espelho, peça sem a qual ela viveria muito bem. Armário sim, cadeira sim, cama sim, mas o espelho era desnecessário. Não consegue mais reconhecer aquela que ele lhe mostra. A pele não tem mais o vigor de outrora, marcas profundas lhe rasgam a face. Os olhos são os mesmos, de um profundo azul, mas o brilho a muito se apagou. Se procurar bem lá no fundo, talvez ainda se encontre uma pequena faísca tentando se espalhar, mas já sem forças tenta apenas se manter ali, presente. Os cabelos.... esses o olhar evita encontrar, já “cañados” denunciam o tempo que se passou, ou que se perdeu.

É como um relógio que bate sem parar, tic, tac, tic, tac... Levando consigo toda qualquer vontade. Tirando todo o vigor que um dia tivera. Deixando apenas a vontade de voltar no tempo, mudar tudo, recomeçar. Mas ele não para nunca e a certeza avassaladora a faz se odiar e desviar o olhar de seu reflexo.

Por uns instantes, respira fundo e fecha os olhos. Vontade de voltar, sem coragem de recomeçar. Vontade de se atirar em terras desconhecidas, sem o entusiasmo de fazer as malas. Vontade de limpar a poeira profunda que o tempo deixou, sem coragem de começar.

Senta-se e olha pela janela. Lá fora o sol não brilha, os pássaros não cantam, as crianças não correm. Uma tempestade se anuncia e todos se recolhem, os primeiros pingos se precipitam contra sua janela, um, dois, três, muitos pingos e trovões.... ventania. Ela sabe que lá fora tudo vai passar, a chuva vai estiar, o vento vai parar de soprar, os pássaros voltarão a cantar e as crianças vão correr excitadas procurando as poças de lamas para brincar, a vida estará lá, se anunciando em cada ação, por menor que seja.

Mas tudo se passará do outro lado da vidraça.

Recomeço

E então já cansado, olha para trás e observa o que passou. Já não pode voltar. Tampouco mudar. Passado, esse é o verbo. Volta seu olhar para o que está por vir. Nebuloso, escuridão e sombras. Não consegue distinguir, não consegue precisar. Mas sabe que precisa continuar. Curvado com o peso dos anos, das decisões erradas, das palavras não ditas e daquelas que deveriam ficar nas entranhas de seu ser, ele tem que continuar. Mesmo sem querer, o próximo passo precisa ser dado. Levanta seu pé direito, descalço e decidido, lança-se na escuridão. Mas, o pé não encontra apoio e entre a surpresa e a constatação, fecha os olhos. É chegado o fim. E ele cai, nas sombras sente seu corpo no ar, caindo e caindo. Não encosta em nada, não sente nada, apenas o hálito gélido da sombra nebulosa de seu futuro a soprar-lhe o rosto. De repente encontra o chão. Permanece lá, imóvel, olhos fixos em algum lugar que ficou para trás. Estirado no seu destino, não sente mais aquele hálito que o acompanhou em sua vertiginosa descida, mas sim uma brisa quente a soprar-lhe a face, cheiro de terra recém molhada, e longe, muito longe dali, consegue distinguir o som de água a correr. Entre a vontade de ficar onde está e se entregar por completo, sem entender o que aconteceu e porque ainda está a respirar, sente sede. Parece-lhe que nem toda a água do mundo poderá saciar-lhe. E com um suspiro, levanta-se lentamente. O peso que antes carregava agora aliado às dores da queda fazem com que se arqueie ainda mais. Primeiro um pé, depois o outro, arrastando-se pelo que se poderia descrever de chão de terra batida, ele tenta se locomover. Mais adiante uma luz começa a surgir no céu, antes enegrecido. E com os primeiros raios de sol ele segue adiante, em busca daquilo que pode mudar seu estado de torpor, esperando que em companhia ao sol venha também a certeza de um recomeço.

Sem palavras

- Me disseram....

- "Me disseram" na língua portuguesa é sujeito indefinido para quem tem preguiça de ler.


Ele: calou-se...
Eu: estou rindo até agora...

A bailarina



Esta menina tão pequenina

quer ser bailarina.


Não conhece nem dó nem ré

mas sabe ficar na ponta do pé.


Não conhece nem mi nem fá

mas inclina o corpo para cá e para lá.


Não conhece nem lá nem si,

mas fecha os olhos e sorri.


Roda, roda, roda com os bracinhos no ar

e não fica tonta nem sai do lugar.


Põe no cabelo uma estrela e um véu

e diz que caiu do céu.


Esta menina tão pequenina

quer ser bailarina.


Mas depois esquece todas as danças,

e também quer dormir como as outras crianças.


Cecília Meireles

10 + 10

Depois de 10 sessões..... mais 10.... ai como é dura essa vida de contundida....
Faz ultrassom, choquinho, alongamento, fortalecimento.... eh coisa chata. Isso por que é só uma tendinite filha de quenga no meu lindo pulso esquerdo, agora imagine o povo que vejo por lá...
Conheci uma tal de Margarete, é, minha xará, que terá que fazer mais ou menos umas 50 sessões, é claro que o caso dela é totalmente diferente do meu, ela teve que operar o ombro e colocar 3 pinos... affff... dói só de pensar.

O bom é que a gente acaba fazendo um monte de amizade e conhecendo gente muito bacana.
Agora.... preciso contar.... preciso contar..... o dia que não consegui me fingir de invisível.
Acontece o seguinte, estou eu lá no cubículo fazendo o tal ultrassom com uma determinada fisioterapeuta, aí chega outra e começa um diálogo mais ou menos assim:
- Eu preciso ter certeza que está tudo bem...
- Mas eu já disse que sim, desencana.
- Não, porque você é muito mais importante para mim....
- Mas que coisa... eu já disse que está tudo bem.... não rola mais nada... não tenho mais nenhum sentimento...
- Mas eu acho que você está mentindo....
- Ai menina, vai em frente. Eu não gosto mais dele....
E eu lá, fingindo ser invisível e torcendo para que a campainha tocasse logo.... tocou... e lá fomos nós para o tal choquinho... eu e as duas fisioterapeutas.
E essa conversinha continuou até que elas terminassem de colocar os "breguedinhos" para eu poder tomar os choquinhos e.... ficar sozinha.
Achei isso um saco, elas conversavam como se eu não estivesse lá.

Dia seguinte....
lá estou eu novamente no ultrassom e a fulana entra de novo.
Ah não, de novo não....
- Vou ler para você..... 10:30 então nos encontramos a noite.... aí eu mandei outro.... você não vai desistir???.... 10:36 DESISTI....
- Como assim????
- Calma.... 10:37 NUNCA minha princesa...
- Ah bom.
E eu lá.... praticando a invisibilidade.
- Mas eu só posso encontrar com ele lá pelas dez, para onde eu vou a essa hora???
- Sei lá, vai para o cinema..
- Ah, mas cinema não dá para fazer nada. Tem que ser um lugar calmo...
- Dá para fazer um monte de coisa no cinema... "Concordo"
- Mas eu quero um lugar em que a gente possa conversar, para a gente se conhecer melhor....
"Ai minha filha, vai para um motel então..."
- Restaurante...
- A essa hora???
- É. Vai para o Outback comer costela.....
Invisível.... invisível..... invisível.... invisível os cambau.....
- AI QUE DELÍCIA..... ISSO MESMO..... VAI NO OUTBACK.... A COSTELA É MARAVILHOSA E FICA ABERTO ATÉ AS 2:00 DA MANHÃ, DÁ PARA VOCÊS CONVERSAREM BASTANTE, SE CONHECER MELHOR.... TUDO DE BOM.... PRONTO..... DEFINIDO.... OUTBACK.
Essa foi eu, não consegui bancar a invisível e interrompi. As duas me olharam como se eu fosse uma ET e pararam de se falar.
Ah, me poupe.... que situação mais chata.... ficaram lá se falando como se eu não fosse ninguém, entrei na conversa mesmo, o problema é que fiquei sem saber se ela saiu com o tal cara e pior, sem saber se ela aceitou minha sugestão... hehehhe

Ontem, hoje e amanhã



...


O amanhã de ontem é hoje


O hoje é o ontem de amanhã




Dentro desta complicação


Quem tem uma explicação?




...


Depende do jeito que você vê




Do livro: O frio pode ser quente? - Jandira Mansur


imagem www.documentus.com.br

Mais uma página

Ela se levantou pela manhã, sentia-se bem, coisa rara nesses últimos dias, tomou um banho demorado, tomou seu café da manhã e vestiu-se – um macacão jeans, largo, roupa que passou a vestir, uma camiseta de manga longa, nos pés um sapato confortável. Penteou-se, passou batom nos lábios e saiu, tinha um compromisso já assumido na semana anterior. Ao seu lado o amor de sua vida.
Meia hora depois, entra naquela sala, que já estava acostumada, já estava habituada a ela e a quem a ocupava, havia já uma relação bonita, saudável e amiga.
Após um tempo, algo estava errado, inesperado. Ela, que tinha outros compromissos, adiou-os.
Aguardava uma ligação, e ao recebe-la, dirigiu-se ao local combinado. Fez muitas coisas, viu muitas coisa, ficou feliz com as imagens, ficou feliz com os sons intermitentes, ficou feliz com os movimentos que sentia a todo tempo.
Mais uma ligação, e algo que era esperado para o próximo mês teve que ser antecipado. Ela, ficou andando de um lado para o outro, subiu um frio pela barriga, a respiração ficou mais rápida, as mãos frias. “Não, ainda não!” pensou. Mas a decisão não cabia a ela. Respirou fundo e mais uma vez foi ao encontro de seu destino.
Chegou ao local que já conhecia e planejara chegar no momento oportuno. Subiu pelo elevador, o coração em disparada. Seu amor, segurava-lhe a mão.
Entrou pelo corredor, entregou os documentos e aguardou. Pouco tempo depois foi chamada, entrou em uma sala e aguardou. Seu amor, resolvendo questões burocráticas.
Tudo pronto, aguardava agora a pessoa que tinha encontrado pela manhã. A porta abriu-se e lá estava ele, confiante, sorriso no rosto. Aproximou-se, pegou sua mão, falou um pouco, demonstrou muita confiança e saiu, temporariamente.
Frio, muito frio. Sentia um frio que parecia sair de dentro dela.
Levaram-na a outra sala. Mais fria, congelante. Pessoas desconhecidas a aguardavam, sorrisos nos rostos, sentiu-se acolhida. A respiração rápida, coração em disparada, frio.
Sabia que estava bem, que tudo ficaria bem, estava certa disso.
Sentou-se, sentiu uma leve pressão nas costas e deitou-se. A essa altura, os dentes batiam descompassadamente.
As pessoas se movimentavam, fazendo algo que para ela era totalmente novo, mas para eles eram corriqueiras, conversavam com ela, sorriam.
Mais alguns minutos e tudo acabaria. Olhava para cima, só podia esperar.
Ficou lembrando o que aconteceu durante o dia, levantara para cumprir sua rotina diária, vestira-se da forma que tivera que se habituar, planejara estar em casa nesse exato momento, mas algo fugira ao controle e ela aguardava.
Vinte horas e oito minutos, ela sente uma pressão, fora avisada antes pelas pessoas que lá estavam, e então ouviu pela primeira vez aquele som. Alto, claro e o frio passou. Sorria, chorava, a felicidade transbordava. Viu então de onde vinha aquele som, pele clara, cabelo ralos e claros, o queixo como o dela, exatamente como vira na ultrassonografia, o queixo era exatamente como o dela. Aquele som, tirou toda a tensão daquele dia, levou para longe o cansaço e o frio. O choro de sua filha, era a confirmação que tudo estava bem, lágrimas correram por sua face.
Adormeceu.
Ao abrir os olhos, encontrou aquele rosto. Seu amado, sorria, feliz, preocupado, aliviado, tudo ao mesmo tempo.
Recebeu um beijo, daquele que agora seria chamado de pai.

Foi assim que me tornei mãe... Mais uma página no livro da minha vida acabara de ser escrito, página do capítulo: Mãe
Desejo a todas as mães muita paz e luz nesse nosso dia!




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Mais um pouco de educação financeira

O que os pais devem evitar

Resista à tentação de presentear seu filho a todo momento.

Em hipótese alguma estabeleça relação entre as notas que a criança recebe na escola e o ganho de dinheiro.

Não suspenda a mesada como forma de castigar por malcriações ou baixo rendimento escolar.

Procure não estabelecer como condição para o recebimento da mesada a realização de tarefas em casa. Do contrário, pode acontecer, por exemplo, de seu filho recusar-se a cumprir as tais tarefas na semana em que não sinta a necessidade de receber dinheiro.

Uma vez que a criança já esteja madura o suficiente para compreender que o ideal é que ela seja capaz de dividir a mesada em partes iguais para “gastar” e “poupar”... os pais devem concentrar a atenção ao lado “poupador” da criança. Incentive-a a prosseguir poupando até alcançar a meta que havia se proposto.

Não se torture por não dar a seu filho todas as coisas que ele pede. Aliás, se você quer que ele venha a se tornar um adulto produtivo, com auto-estima e capaz de assumir responsabilidades, aí então, é que você não deve mesmo dar tudo o que ele lhe pede.



Extraído do livro: Educação Financeira - 20 dicas para ajudar você a educar seu filho



Autora: Cássia D´Aquino



Para ler mais assuntos abordados pela autora acesse: http://www.educfinanceira.com.br/

Filhos: Educação Financeira

Quando fiz a alguns anos atrás um seguro educação para minha flor, recebi algumas publicações contendo dicas de como educar os filhos, questões de disciplina, educação financeira, entre outros.... encontrei outro dia em minha gaveta um livro de bolso que fala sobre educação financeira e achei que seria interessante publicar os tópicos que mais me chamaram a atenção. Dividirei em dois posts, esse primeiro trata de "Como os pais podem favorecer a educação financeira de seus filhos"


Ensine seu filho, desde pequeno, a distinguir as coisas que compramos porque “queremos” daquelas que compramos porque “precisamos”.

Habitue-se a provocar, com naturalidade, a atenção de seu filho para a existência de coisas “caras” e “baratas” em diferentes ambientes (padaria, farmácia, papelaria, etc)

Se seu orçamento permitir, dê a seu filho uma mesada (dos 3 aos 10 anos, semanada). A criança que recebe mesada aprende, desde cedo, a tomar decisões e a fazer escolhas financeiras.

Não se sinta desanimado se seu filho vir a falir 1, 2, 3 vezes.... Cometer pequenos erros na administração de tão pouco dinheiro vai ensina-lo a evitar grandes erros.



Ao preparar nossos filhos para lidar com dinheiro estamos ensinando-os não apenas a administração de finanças mas, principalmente, educando-os a serem capazes de conter impulsos imediatistas, a lidar com a percepção de seus desejos e com os limites para a realização destes desejos.



Extraído do livro: Educação Financeira - 20 dicas para ajudar você a educar seu filho

Autora: Cássia D´Aquino

Para ler mais assuntos abordados pela autora acesse: http://www.educfinanceira.com.br/ e fica também como uma dica de leitura aos pais, pois pode-se adquirir o livro através desse mesmo site.






Duas visões


É incrível como duas pessoas tem visões totalmente diferente das coisas, observe os diálogos abaixo:

Fulano:
- Bom dia, como está a viagem?
- Ah, tá indo, esse tempo que não melhora. O navio está balançando muito, pessoas passando mal, estou entediado, comendo como louco. A única coisa que dá para fazer é comer...
- Que pena....

Cicrano:
- Alô, e aí, tudo bem?
- Tudo ótimo. O navio é maravilhoso, lindo, demais mesmo. A comida é espetacular, os shows que assistimos à noite então... está tudo de bom.
- Mas, e esse tempo ruim, o navio balançando...
- Ah, é. As meninas passaram um pouco mal, mas já passou. O tempo ficou bom ontem em Angra e hoje também está legal. Estou adorando....
- Você tem certeza que está no mesmo navio que o fulano?
- Claro, a gente está aqui junto...
- Então tá....

Antes que eles cresçam


Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos. E que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular, entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações. Crescem com uma estridência alegre, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira, crescem de repente. Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade, que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura. Onde em que andou crescendo aquela danadinha, que você não percebeu? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?

A criança esta crescendo num ritual de obediência civil. E você agora esta ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos. Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração, incomodas mochilas, nos ombros nus, ou então com a blusa amarrada na cintura. Esta quente, achamos que vão estragar a blusa, mas não tem jeito, é o problema da geração. Pois ali estamos, com os filhos que conseguimos gerar apesar dos golpes dos ventos, das colheitas das notícias e das ditaduras das horas. E eles crescem meio amestrados, observando nossos muitos erros.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos. Não mais os colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções.
Passou o tempo do ballet, do judô, do inglês, da natação. Saíram do banco de trás e passaram para volante das próprias vidas.

Deveríamos ter ido mais a cama deles ao anoitecer para ouvirmos sua alma respirando, conversas e confidencias entre lençóis da infância e os adolescentes cobertos, naquele quarto cheio de adesivos, posters, agendas coloridas e discos ensurdecedores. Não os levamos suficiente hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.

Eles cresceram sem que esgotássemos neles todos nosso afeto. No principio subiam a serra entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoa, piscina e amiguinhos. Sim, haviam as brigas, dentro do carro, disputa pela janela, pedidos de chicletes, sanduíches e cantorias infantis. Os pais ficaram, então, exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas pestes.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso estocado não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável atenção. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam!!!


(autor desconhecido)
imagem: Dra sick Love

Vermelha


Na porta de sua cozinha ela estava em pé, cabelos castanhos amarrados em rabo de cavalo, vestido cor de rosa, nos pés uma sandália também rosa, em seus braços uma boneca, mais que isso, uma companheira, linda, de cabelos loiros cacheados, com cheirinho de bebê, vestidinho azul e branco e que chorava de verdade, um barulho havia chamado sua atenção, crianças gritando animadas e o som do motor de um caminhão, de lá ela avistou o motivo de tanto alvoroço.

Homens de macacões azuis entregavam uma bicicleta, amarela, reluzente. O dono, mal cabia em si de tanta felicidade, suas bochechas estavam rosadas, ela então olhou para sua companheira e pensou: Agora somos só você e eu, e entrou. Sabia que acordara com sua mãe, ao explicar-lhe que não havia possibilidade de lhe dar uma bicicleta, que aceitara ganhar uma boneca, pois ela estaria dentro das possibilidades da família, fora pessoalmente escolhê-la e no momento em que a viu soube que seria aquela.

Os dias se passaram, sua casa tornara-se seu refúgio, deitada no sofá sempre com sua companheira, aos poucos perdera a vontade de comer, não queria brincar, os amigos a convidavam, mas ela rejeitava qualquer pedido, simplesmente não queria sair na rua e ver todos seus vizinhos com seus troféus, fazendo peripécias, rindo, não queria ver todas aquelas cores, todos aqueles modelos, simplesmente não tinha forças.

Começou a ter febre, sua mãe muito paciente cuidava dela, insistia para que saísse, mas nada a convencia do contrário, assim como sua febre, que não diminuía.

Um dia enquanto estava deitada, ouviu novamente um alvoroço na rua, mas não se interessou em ver o que estava acontecendo. Sua irmã entrou correndo, meio sem saber o que falar, muito agitada a tirou da sala. Ela não tinha o que comemorar e não entendia o que estava se passando, entrou no banheiro e lá ficou com sua companheira.

Após alguns minutos sua irmã retorna e pede para que ela vá até a rua. Relutante ela vai, caminha pela cozinha, móveis vermelhos, tudo vermelho, geladeira, fogão, armário, mesa, cadeiras, nunca entendera porque seus pais haviam decidido comprar móveis daquela cor, sobre a mesa um vaso com margaridas, colhidas do quintal de sua avó, caminhou então pela sala, um conjunto de sofás, uma estante e uma televisão preto e branco, passou pela porta e a viu, vermelha, brilhando, olhou para trás e encarou sua irmã que acenou com a cabeça: Vai, é tua.

Correu, sua boneca nos braços, olhou para todos os amigos que estavam na rua, para sua mãe, mulher forte, linda e com um imenso sorriso no rosto segurava sua preciosidade. Entregou sua companheira à pessoa mais próxima e a segurou, passou suas mãos pelo guidão, pelo banco negro, sentiu a textura e o cheiro dos pneus novinhos, vermelha, ela é vermelha.

Percebeu alguém atrás dela, sua irmã, pegou sua mão e ajudou-a a subir, colocou seus pés nos pedais e começou a empurrá-la pela rua de terra batida, seus amigos a acompanharam, ela perdia o equilíbrio, mas a irmã a sustentava, outras mão surgiram para auxiliá-la.

Uma tentativa, duas tentativas, na terceira tentativa ela aprendeu, se equilibrou e seguiu pedalando, seus cabelos longos, soltos, voavam impulsionados pelo vento, seus olhos brilhavam, seu desânimo passara, sua febre passara e o sorriso voltara ao seu rosto, baixou o olhar e ela estava lá, vermelha e linda.

Parou, olhou para trás sorrindo, simplesmente não conseguia parar de sorrir e lá estavam sua mãe e suas irmãs, de mãos dadas e sorrindo.

Olhou novamente para sua mãe, em seus braços a boneca.


"Dedicado a todas as pessoas que não medem esforços para ver uma criança sorrir"

O que podemos aprender com os gansos




Minha amiga e blogueira Edna publicou uma frase e lançou um desafio aos blogueiros que se interessasem, então lá vou eu:

"Com espírito de bravura, cada um sentia o perigo e a possibilidade real de morte durante a travessia."

A regra é a seguinte:

*Pegar o livro mais próximo;
*abri-lo na página 161;
*procurar a 5ª frase completa;
*postar a frase no blog;
*não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
*e, finalmente, repassar o desafio para cinco blogs.

Farei como ela, quem se interessar, publique sua frase. A minha foi extraída do texto "Nosso rosto reflete nossas intenções", do livro O que podemos aprender com os gansos, de Alexandre Rangel.